"I remember when i first moved here, a long time ago ´Cause I heard some song I used to hear back then, a lone time ago. I remember when, even further back, in another town, ´Cause I saw something written I used to say back then, hard to comprehend.
"And the question is, was I more alive then than I am now? I happily have to disagree; I laugh more often now, I cry more often now...
Via PapelPop, cheguei no impagável Bronze Brasil 2008, onde a torcida é para que alcancemos o maior número de medalhas de bronze possível nessas Olimpíadas. Afinal, se aqui no Brasil um bronze vale como um ouro, nada mais digno que assumamos de uma vez a torcida pela celebração da nossa mediocridade.
E é verdade: somos o quinto maior país em extensão do planeta, uma das dez maiores economias do mundo, auto-suficientes em petróleo, economicamente estáveis, sem dívida externa, mas ainda assim assumimos alegremente o humilde papel de claque, bucha-de-canhão, figuração em Olimpíadas. Hoje estamos em quadragésimo-primeiro lugar no quadro de medalhas, atrás de potências como a Jamaica, o Quênia, Etiópia, Cazaquistão, Zimbábue, Azerbaijão e Mongólia.
Tudo bem, provavelmente seria muita ambição querer competir com potências como Rússia, China e Estados Unidos, onde os atletas vivem a vida quase que exclusivamente em função de seu desempenho olímpico. Passam a vida à base de suplmentação alimentar de primeira linha, treinos exaustivos com toda a melhor estrutura física, técnica e tecnológica que existe neste planeta, e têm todo o suporte para não se preocuparem com mais nada a não ser treinarem e se aprimorarem. Duvido até que os caras tomem água: deve ser tudo na base do Gatorade. Mas, meu, ainda assim é um despautério o Brasil não estar nem entre os quinze primeiros colocados no quadro de medalhas.
E por que isso não acontece? Azar? Zica? Inferioridade genética? Falta de garra e de fibra nos nossos atletas? Não acredito em nada disso. Acho, isso sim, que isso acontece porque nesse país o apoio ao esporte é encarado como hobby, algo que se faz hoje e pode-se deixar de fazer amanhã sem culpa alguma; uma liberalidade de empresas que têm um dinheirinho sobrando e querem tirar onda de quem faz o bem. E que nem se comente a falta de estrutura e apoio do Estado em relação a isso: uma das facetas do sistema educacional falido do nosso país se revela bem aí.
É fato conhecido que o esporte no Brasil vive praticamente de esmolas -- excluídos aí o futebol, e talvez o vôlei e o basquete. Via de regra um atleta, no Brasil, é um cara que tem que se virar para sobreviver, enquanto tenta manter um mínimo nível técnico para se alçar a competições de nível. E isso é uma pena, porque não é de hoje que um bom desempenho nos jogos olímpicos serve de propaganda muitíssimo eficaz no cenário internacional. Basta lembrar da política de "medalhas a todo custo" da época da Guerra Fria, com que os países do bloco comunista tentavam demonstrar superioridade não só esportiva, mas também ideológica e econômica, frente aos países capitalistas. Os brasileiros são alheios a isso: vão para os jogos olímpicos sorridentes, só para tomarem na cara e serem humilhados, e então voltarem choramingando para casa, justificando o injustificável.
E, aos olhos do mundo, que sigamos sendo o país das mulatas com pouca roupa, do jeitinho, do futebol, do samba e dos assaltos no Rio de Janeiro. E mais nada.
Não é à toa que o único ouro do Brasil veio de um atleta que vive e treina nos Estados Unidos. Ou seja: o chassi até que é brasileiro, mas o combustível e a mecânica foram inteiramente estrangeiros. Posto de lado o enorme mérito pessoal do Cézar Cielo, esse ouro é muito mais estadunidense do que brasileiro, na boa. Quase uma nona medalha do Michael Phelps.
É impressionante: se já houve tempos em que eu publiquei quinze posts num só dia aqui no Quarto 1222, ultimamente eu tenho custado a conseguir escrever algo que preste a cada quinze dias. Eu tenho vivido um grande período de NADA, onde o pouco que eu consigo captar para pôr em palavras acaba se tornando um mini-post na minha página no Twitter (essa sim, anda bombando).
Eu até tenho pensado em escrever sobre uma coisa ou outra que aparece na mídia, mas acabo desistindo para não ser repetitivo, ou ser reputado como uma versão mal-acabada do Diogo Mainardi. Seja como for, a verdade é que está cada vez mais difícil falar mal da política, sobretudo do governo federal -- e não é porque as coisas estão indo bem, não: é que as idiotices da malta estabelecida na Esplanada dos Ministérios são tão óbvias, cada vez mais estapafúrdias, que chegam a falarem por si mesmas. Clamam aos céus por misericórdia sobre essa nação de boçais.
De que adianta falar que mexer na Lei de Anistia agora é só um revanchismo idiota, que não vai servir para outra coisa além de chagar para sempre a sociedade, como aconteceu no Chile e na Argentina? Por outro lado, já é cair na obviedade escrever sobre como o STF vem se tornando uma defensoria de corruptos com costas-quentes (ou largas, ou os dois), ao invés do maior guardião do Direito no Brasil. Ou ainda afirmar que eu me condôo quando vejo a comemoração por cada parco bronze que um brasileiro ganha nas Olimpíadas, porque para mim isso é o mesmo que esse país admitir que não passa de uma Uganda de mais oito milhões de quilômetros quadrados.
Assim, é melhor nem escrever nada. Deixar passar em branco, na esperança de que passe bem logo.
Enquanto isso, vivo os meus dias assim como eles me vêm. Estou passando por uma fase na qual absolutamente não consigo discernir o que eu quero do que eu não quero, e menos ainda o que eu deixo de querer. E, como dizem as sábias placas de trânsito: "na dúvida não ultrapasse", eu fico assim, parado. Assisto a minha própria vida passar por mim como um longo e monótono filme iraniano, com sutis toques de ópera-bufa.
É um cipoal confuso, a minha cabeça. Me perco entre as coisas que eu quero, e as que eu gostaria de querer, ou deixar de querer. Sem conseguir enxergar um palmo à frente e discernir alhos de bugalhos, mas agoniado para fazer algo acontecer na minha vida, saio às topadas por aí aprendendo as coisas na base da tentativa-e-erro. Meto os pés pelas mãos e saio frustrado e ferido da situação, tendo consciência de que absolutamente nada mudou na minha vida. Eu sigo parado e inerte.
Complicado isso. Não tenho expectativas de que quem leia isso vá entender do que se trata e possa me aconselhar, ou se solidarizar comigo. Não é fácil de entender, eu mesmo não entendo. Aliás, nesse aspecto nem mesmo seis anos de terapia têm ajudado muito. Nas sessões com o Dr. Jason, eu tenho tido crises de sono... de tanto tédio! Talvez fosse melhor desistir e me assumir louco de vez.
Pelo menos assim eu paro de gastar dinheiro com a terapia.
Quando eu era criança, meu avô me dizia que eu tinha um olhar de poeta, e minha avó completava que minhas mãos eram de pianista. Cresci para ser nenhuma das duas coisas: meus arroubos poéticos sempre foram tímidos e escassos, graças a Deus, e nem o "Bife" eu sei tocar direito. Eu canto, se muito, e mesmo assim olha lá.
Talvez a única característica eminentemente artística que eu tenha de verdade seja o existencialismo. Desde que me conheço por gente, sempre fui uma pessoa sofredora por natureza. Daquelas que são afetadas por absolutamente tudo que se passa em suas vidas, e que mesmo o mínimo estímulo encontra um eco ribombante em suas almas. Por causa disso mesmo as coisas corriqueiras, que são naturalmente encaradas e superadas todos os dias pelos demais mortais, sempre me deixaram marcas profundas.
Quando estava na escola, era um sofrimento o primeiro dia de aula, e o último também. Mudanças e despedidas sempre foram as minhas maiores algozes. Viagens de excursão, então, eram um suplício: voltava da viagem cansado, como todo mundo, mas também profundamente deprimido porque não mais veria aquelas pessoas todas com a intensidade com que havia me acostumado. Eu choro em velório de gente que eu não conheço, ao ver a dor da despedida de quem o morto deixa para trás. Eu choro vendo filme da Sessão da Tarde, fim de novela e clipe musical.
Por toda a minha vida eu sempre me empenhei em construir uma certa carapaça de alienação e indiferença à minha volta, que é uma tentativa de imitar como eu vejo agirem por aí as pessoas normais. De certa forma, eu até que obtive algum sucesso no intuito de me proteger, mas sou forçado a admitir que eu não consegui ainda descobrir como algumas pessoas fazem para serem felizes e entusiasmadas o tempo todo.
Eu sou um cara de altos e baixos. E esses estados alternam-se várias vezes por dia, em questão de horas. Vitalidade não é algo que me sobra, e eu tento aproveitá-la ao máximo quando ela se faz disponível. Euforia, entusiasmo, então, nem se fala. Queria ter a animação de um professor de aeróbica o tempo todo, mas não consigo. Daí me resta fazer a linha emo mesmo.
Em duas épocas do ano, especificamente, eu fico mais propenso a arroubos ainda mais existencialistas do que o normal: o período que começa no meu aniversário e termina no ano-novo, e o inverno. São fases em que eu me pergunto "que diabos eu estou fazendo da minha vida" com mais intensidade do que o costume. Nelas mesmo os problemas mais simples passam a ser intransponíveis, verdadeiras sentenças irrevogáveis de uma vida desgraçada. Minha conta parece que nunca mais vai sair do vermelho, a malhação parece não estar fazendo efeito e ser uma grande perda de tempo e dinheiro, e eu me sinto mais sozinho ainda.
Ontem eu tive um surto desses. Me vi falido, gordo (e magro, paradoxalmente ao mesmo tempo), fracassado, arruinado, morto em vida. Custou uma noite de sono para eu ver que o sol sempre volta no dia seguinte.
Tem um povo que não veio a este mundo a passeio. E eu sou um desses.
Eu ando de bode ultimamente, e acho que dá para notar pela escassez de posts aqui no Quarto 1222. Não tenho tido saco para nada, vontade para nada, inspiração para nada. É um desperdício de tempo, eu sei, mas a verdade é que no inverno tudo o que eu faço é esperar ele passar. Me encasulo na minha conchinha imaginária e fico ali quietinho, fingindo que não sei que a vida, às vezes, pode ser bem chata.
Junho e julho se foram, agora resta agosto... e é a pior parte. A temperatura sobe, a umidade desce, e a cidade fede a lenha queimada. O vento, tão presente nos meses anteriores, vai parando, e a brisa que resta fica mais quente a cada dia. Tudo já preparando o cenário para o inferno que nos aguarda no fim do mês, e por setembro afora, até que Deus se compadeça de nós e envie chuva para encerrar tamanho sofrimento.
Céus, como eu quereria poder sumir daqui nessa época... curtiria as festas juninas e já em julho me mandaria para bem longe, para qualquer lugar onde o ar fosse respirável, onde chuva não fosse raridade e a paisagem fosse permanentemente verde. E ali permaneceria como um retirante nordestino, só aguardando a notícia que choveu na sua terra para voltar para casa no primeiro pau-de-arara.
Ou não. Dados os meus manifestos sentimentos por essa terra que me pariu, acho improvável que eu, podendo sair daqui permanentemente, algum dia quisesse voltar.
Eu achei bem interessante a proposta de pauta que o Hermano fez nos comentários do post anterior. E eu resolvi escrever mesmo sobre ela, apesar de a idéia de vocês proporem pautas era inicialmente só retórica (até porque ninguém anda lendo esse blog e eu achei que ninguém responderia à minha sugestão). Como esse tem sido um assunto que tem ocupado bem muito o meu pensamento ultimamente, acho que esta é uma boa oportunidade para falar dele: dor-de-cotovelo.
Eu sou um cara que começou a amar tarde. Me lembro de ter paixonitezinhas platônicas -- sobretudo aos doze, dezesseis e dezoito anos -- mas nada que se compare aos amores adolescentes que eu vejo se desenrolando ao meu redor por aí. Nesses meus proto-amores eu até cheguei a padecer um pouco; fui trocado, chorei muito por isso e fui romanticamente curar dor-de-cotovelo alhures. E isso me bastou para julgar-me já sofrido e calejado.
Mas a verdade é que quando finalmente aconteceu de eu verdadeiramente me apaixonar -- e nisso já se iam meus vinte e tantos anos -- eu fui pego completamente desguarnecido. Não tinha anticorpos, cacife nem cancha, não tinha maturidade, jogo-de-cintura e nem quaisquer outros instrumentos para lidar com aquilo. E aquilo me consumiu por completo: como é da minha natureza, essa paixão foi avassaladora, desmedida, descontrolada. E, não obstante ter durado quase nada, quando acabou ela me deixou sem chão sob meus pés. E, num contexto particularmente complicado da minha vida àquela época, o resultado dessa combinação não poderia ser outro: enlouqueci.
E daí que toda a cancha, cacife e jogo-de-cintura que me faltavam me foram ensinados da pior maneira possível. Sofri calado e sozinho por meses, anos. Confiei em pessoas que hoje eu me esforço por esquecer que sequer conheci um dia. Fiz-me de ridículo para gente que, hoje eu sei, não é digna nem de amarrar os meus sapatos. Fui humilhado incansavelmente até que finalmente, depois de muitas e muitas tentativas e erros, pareci encontrar um caminho seguro de volta para casa. Vivo, graças a Deus, mas muito, muito ferido depois de tudo pelo que passei.
Espero que ainda seja cedo para eu chegar a conclusões definitivas, mas a verdade é que eu tenho a impressão de que por esse aprendizado todo, e tamanha experiência, paguei um preço muito alto: a minha capacidade de apaixonar-me, e conseqüentemente de amar. De uma pessoa outrora passional, impulsiva e espontânea, pareço ter me tornado um ser contido, metódico e calculista depois desses anos.
Ou um morto em vida, se formos olhar bem.
Hoje em dia é muito difícil que eu sofra verdadeiramente por um amor. Talvez passe por um dia ou dois de agonia, quem sabe seguidos de meses de saudades, mas nada nem perto da torrente de emoções que antes convulsionava a minha vida. E tamanha frieza às vezes parece traduzir-se como indiferença até para mim mesmo -- o que me leva a crer que o fato de eu hoje sofrer menos talvez tenha a sua origem numa provável incapacidade de me apaixonar ou, mais fundo ainda, até mesmo de amar.
Sempre de maneira automática e inconsciente, os meus relacionamentos atuais são cuidadosamente calculados de forma a manter um fosso de segurança entre eu e a pessoa que arrisca entrar na minha vida. E sempre, não importa o quão bem as coisas estejam indo, eu sempre me apanho tendo um plano "B" à mão, uma rota de fuga em vista, um pé na porta, um salva-vidas previamente atado.
E, o que é pior: tal qual uma Penélope diligente em desmanchar a sua manta, eu também sempre me empenho em, à noite, desfazer os sentimentos que eu mesmo construí durante o dia. Assim, mantendo o relacionamento sempre à míngua, não haverá como sofrer muito quando ele acabar (porque com tanta sabotagem, ele fatalmente TERÁ que acabar um dia).
Como todo mecanismo perverso, esse também se retro-alimenta, e a cada despedida, a cada decepção anunciada e produzida por mim mesmo, eu me sinto afundar mais e mais num poço de apatia e indiferença. É seguro ser assim, mas é muito triste também. Vejo pessoas maravilhosas entrando na minha vida, e então assisto impassível elas se esvaírem pelos meus dedos como areia fina. E me preocupa constatar que isso me faz sofrer só nalgum nível bem periférico da minha existência.
Por outro lado, vivo numa constante angústia, buscando dentro de mim vestígios dessa chama que antes era tão perceptível. Me atiro em qualquer possibilidade de redenção só para, mais tarde, encontrar ainda mais decepção e a culpa por ter magoado mais uma pessoa inocente e bem-intencionada. Acho que quando se morre em vida, inevitavelmente morre também uma boa parte do mundo à sua volta.
Eu sinceramente gostaria de poder sentir dores-de-cotovelo novamente. Ser capaz de voltar a chorar abraçado ao meu travesseiro até cair no sono, tudo por causa de uma grande e verdadeira paixão. Sentir os joelhos bambos ao surgir um certo nome na tela do meu celular, ansiar por pôr os meus olhos novamente no rumo de olhos que me seriam tão caros, tocar as mãos que fariam todo o meu dia, semana, mês, até mesmo ano valer a pena. Gritar para todo mundo ouvir que sim, EU ESTOU AMANDO e justamente por isso eu me sinto tão vivo.
Hoje, tudo o que sai de mim é um sorriso encabulado, e uma afirmação reticente, tímida e vaga. Pareço não querer comprometer nem mais os meus próprios sorrisos ou as minhas palavras.
Como eu faço para voltar a ser o Rindu de antes de 2002?
Me perguntaram se tanto silêncio ausente era por que o blog estava de férias ou fora abandonado. E foi só depois de pensar um pouco que eu respondi que era mais ou menos as duas coisas, em iguais proporções. Mais uma daquelas zicas de inverno que caem sobre mim todos os anos.
Eu queria entender de onde essa coisa vem, até mesmo para poder combater-lhe. É só o tempo esfriar, os dias ficarem mais curtos, e o meu humor degenera. Fico mais suscetível, e também preguiçoso. Paciência nenhuma, vontade de ficar sozinho e quieto, embora ressinta a solidão. Não quero ser aborrecido, e qualquer coisa que constitua uma obrigação não necessária -- como escrever no blog -- passa a ser deixada de lado.
Daí que eu tirei férias esta semana, para ficar em casa sem fazer absolutamente nada. Dormir tudo o que me faltou dormir nos últimos tempos, ficar à toa sem me preocupar com viagens e compromissos, e ver um grande nada se assenhorar do meu tempo. Eu ando precisando disso.
Para começar, estive num retiro de silêncio desde a noite de quinta-feira passada. Foi bom colocar a cabeça em ordem, repensar muita coisa e começar a traçar metas. Parar assim às vezes é bom.
Mas é isso, estou de volta. Talvez o que me falte daqui para frente é assunto para postar. Sugere pauta, alguém?
Ah, rapidinho: Ingrid Betancourt livre fez a minha semana bem mais feliz.
Ao mesmo tempo fiquei ainda mais puto com o governo do Lula, que se recusa a classificar as FARC como um grupo terrorista. Para os imbecis do PT e outros iludidos da sua laia, essa gente que mantém inocentes como reféns por anos e anos no meio da selva ainda se trata de uma guerrilha política de esquerda, que luta pela libertação das massas oprimidas das garras da mais-valia capitalista. Em nome de sua ideologia pobre e defasada, nossos gloriosos governantes se recusam a verem esse bando de facínoras como eles são de fato: uma corja de terroristas sangüinários e baderneiros oportunistas, uma malta de salteadores a soldo dos narcotraficantes. Sob o discurso revolucionário, estão todos empenhados em manter parte do território da Colômbia à margem da lei e à mercê da barbárie, para benefício do tráfico de drogas. Ou seja: não é caso de política, é caso de polícia.
Creio veementemente que deveríamos fazer um esforço internacional para trocarmos os muitos reféns ainda em poder das FARC -- alguns ali há quase uma década, senão mais -- pelo Lula, Dilma Roussef, José Dirceu, Evo Morales, Hugo Chávez, Rafael Correa (presidente do Equador) e pela Christina Kirchner. É uma questão de justiça: libertam-se os inocentes e reúnem-se os bandidos. Certamente serão os reféns mais contentes de que se teve notícia na História.
Daí que aquela situação aqui no Escritório, que vinha se arrastando havia meses, se desenrolou nos últimos dias. Enfim chegou a versão final do relatório do cara da Sede que nos visitou em maio, recomendando que a minha Unidade diminuísse um posto -- e não foi o meu.
Graças a Deus conseguiu-se que não fosse uma demissão, mas um remanajemento entre Unidades do Escritório. E foi assim que partiu uma das pessoas que mais dificultou as coisas para mim e para todo mundo aqui em volta nesses últimos tempos de mudanças. Há um certo alívio, com certeza, mas acompanhado de uma certa angústia: foi-se a pessoa, levando consigo sua experiência e conhecimento, e para trás ficaram suas incumbências, responsabilidades e serviço para eu dar conta... Será que eu vou conseguir? Será que eu vou querer conseguir?
E aí que eu me vejo numa relação meio estranha com o meu algoz, alguém que me causava os piores efeitos do stress, dores físicas mesmo. Agora que ela saiu do meu caminho, eu me pergunto como vou viver sem ela.
Estou indo para o Rio de Janeiro no fim de semana que vem, para dar uma espairecida e respirar um pouco de maresia. Se tiver sorte, vou ver um pouco de chuva também -- em Brasília não chove há dois meses e eu adoro um tempo nublado.
Como eu já havia comentado aqui no Quarto 1222 antes, as Nações Unidas têm uma escala de níveis de segurança para orientar as viagens de seus funcionários. Essa escala vai da "Fase 1" (Precaução) até a "Fase 5" (Evacuação), e desde fins de 2006 o Rio de Janeiro foi classificado como um local "Fase 1". Daí, para poder ir para lá ainda que a passeio, eu tenho que preencher um formulário avisando o Departamento de Segurança da ONU quando eu vou viajar, em que vôo e em que horários, ficar onde, com quem, e quando volto. Tudo para a eventualidade de, caso haja algum agravamento na situação por lá, eu possa ser evacuado da cidade com rapidez e segurança.
É legal pensar que há todo um esquema pensado para te proteger, mas por outro lado não deixa de ser uma encheção de saco.
No site onde esse requerimento é preenchido, há uma seção "Travel Advisories" (algo como "Conselhos de Viagem") em que há um texto todo apocalíptico sobre os riscos que se assume ao decidirmos ir ao Rio de Janeiro. Eu achei interessante copiá-lo aqui:
As forças de segurança conduzem freqüentes operações armadas contra facções do tráfico de drogas que estão em controle de diversas favelas espalhadas pela cidade. Balas perdidas, rajadas de balas e o indiscriminado uso de munição de alta velocidade e armamento pesado podem transformar qualquer favela num cenário perigoso e volátil, especialmente no caso de intervenção da polícia ou conflitos entre diferentes facções de traficantes. Visitantes são mais vulneráveis a tais incidentes devido ao seu desconhecimento do local e falta de experiência. Portanto, todos os viajantes são aconselhados a evitar a proximidade das favelas. Adicionalmente, tem havido um aumento de assaltos à mão armada nas vias de acesso do Aeroporto Internacional à Zona Sul, onde a maioria dos visitantes internacionais ficam. Evite passar à noite na Linha Vermelha ou Linha Amarela, que são vias expressas ligando o Aeroporto Internacional à Zona Sul, o centro da cidade e subúrbios. Se você desembarcar no Aeroporto Internacional durante a noite, considere passar a noite no Hotel do Aeroporto. Enquanto no Rio de Janeiro, dê preferência a rádio-táxis registrados já que eles são considerados os mais seguros, ou peça orientações ao concièrge do seu hotel. Devido a disputas em curso com os controladores de tráfico aéreo, vôos podem se atrasar, serem cancelados e/ou desviados de seus destinos iniciais. Assim, viajantes chegando ou fazendo conexões em vôos no Rio de Janeiro são aconselhados a requerer um security clearance mesmo que não haja expectativa de deixarem o Aeroporto. (...)
O texto segue falando que quem viaja a reservas indígenas também tem que solicitar um security clearance, já que ocorreu de funcionários da ONU serem mantidos reféns por alguma tribo por aí. E, é claro, fala dos cuidados em relação a Febre Amarela e Dengue.
É chocante pensar que escrevem isso sobre o nosso país... mas daí, se você pára um pouco para pensar, vê que nem está tão fora da realidade assim. A gente é que já se acostumou com o caos.
Acho que nem nos meus tempos de colégio eu tive uma semana tão longa. Sério, essa semana já durou uns vinte dias e hoje é só quinta-feira! Tudo bem que são quintas-feiras de Neruda, como as encanta a Milady, mas a essa altura do campeonato Neruda de c* é r***, eu quero um fim de semana JÁ.
Aliás, é engraçado quando a gente para para pensar o quanto a nossa percepção da passagem do tempo vai mudando à medida em que envelhecemos. Quando eu era criança, sentia como se fizesse aniversários a cada dez anos. Céus, como custava para um ano na escola passar! Os meses se arrastavam, as férias eram absurdamente longas... A vida parecia ter mais substância, e definitivamente mais consistência!
Mais ou menos depois dos dezoito anos, a minha vida inexplicavelmente começou a adquirir uma velocidade cada vez mais rápida. E isso chegou ao ponto de eu constatar, horrorizado, que há anos inteiros que já passaram que eu simplesmente nem consigo me lembrar do que aconteceu neles. São 365 dias que passaram a jato por mim sem deixar outras marcas que não uma nova idade para contar e novos fios de cabelo branco na cabeça. E mais nada.
Acho que todo mundo tem essa mesma sensação, talvez uns mais que outros. Não sei por que isso acontece, mas as teorias são muitas. Desde que o tempo passa mais lentamente para crianças porque na idade delas tudo constitui um aprendizado, até que o corre-corre da vida profissional versus contas a pagar propicia essa dobra no espaço-tempo que nos faz envelhecer sem nos dar conta do tempo que passa. Seja como for, fato é que eu ainda posso ouvir o espocar dos fogos de artifício de ano novo enquanto já estamos às portas do mês de julho.
Julho, meu. Segundo semestre gritando aí.
É melhor que eu já coloque as minhas barbas de molho. Os 33 anos estão chegando, o Natal também. Quando a gente menos se der conta, já passou tudo. Aí fica a máxima da Simone: "então é Natal... e o que você fez?"
Essa semana está sendo bem atípica aqui no Escritório, e por isso mesmo incrivelmente longa. A demanda de serviço caiu sensivelmente e eu tenho passado os dias praticamente à toa, lendo tudo o que presta e o que não presta na internet, esperando o tempo passar. E ele simplesmente não passa.
Geralmente é assim nessa época do ano, e acredito que será ainda pior por causa do ano eleitoral. Até a minha chefe tirou uns dias de férias.
Eu detesto ficar à toa. Não porque eu seja um workaholic, porque eu não sou mesmo, mas porque é péssimo perder o pique do trabalho; quando as coisas recomeçarem a acelerar, vai ser sofrido recuperar o gás para dar conta de tudo a tempo e à hora.
Isso sem contar que eu detesto pagar hora-bunda, essa palhaçada de ficar aqui fazendo paçoca na minha mesa enquanto eu poderia estar fazendo um milhão de coisas mais interessantes no mundo lá fora -- entre elas dormir, por exemplo. Eu tenho dado conta das minhas pendências diárias em uma, talvez duas horas de trabalho se eu trabalhar devagar. Daí por que não me liberar para ir embora, com a condição de que se aparecer qualquer problema ligarão no meu celular? Essa lógica da mais-valia é meio burra, se formos pensar bem.
Então que hoje AINDA é quarta-feira... e uma quarta-feira de inverno, que paulatinamente já tem feito o meu humor correr ralo abaixo.
Na noite de quinta para sexta-feira passada eu tive um sonho muito, muito estranho. Eu geralmente não sou do tipo que lembra dos sonhos que teve, e quando isso acontece os sonhos são sempre bem normaizinhos. Nos meus sonhos não tem dessa de labirintos, bichos que falam, super-poderes, nada. Tal qual a minha vida é chata, meus sonhos são chatos. Nem isso me salva.
Mas na quinta-feira passada tudo foi bem diferente do que o usual. Sonhei que o meu avô materno, que morreu em 1987, tinha aparecido vivo. Como uma espécie de Elvis Presley, ele contou que forjou a própria morte porque estava cansado da vida que tinha. No sonho eu não lembro da reação da minha família, mas eu fiquei bem indignado: como assim aquele homem tinha feito isso com a gente? Minha avó morreu por causa dessa perda, e todos na minha família mudaram muito depois do choque dessa perda. Eu mesmo tenho certeza de que seria uma pessoa bem diferente do que eu sou hoje se meu avô não tivesse morrido ainda.
Daí eu fui espairecer da mágoa na casa do Marcelo, que foi o meu melhor amigo de infância e que morreu num acidente de avião quando eu tinha 18 anos. Não lembro de ele estar lá, mas o Bonnie, que foi o cachorrinho que eu tive na minha infância, estava. O Bonnie morreu atropelado em 1989, bem na minha frente.
Depois disso, o sono começou a ficar meio confuso à medida em que a hora de acordar se aproximava. Eu não lembro de mais nada, mas sei que tinha muita água envolvida. Despertei meio perturbado, e vim trabalhar com uma cara péssima (o que nem é novidade).
O firewall aqui do Escritório impede que os programas de acesso ao MSN completem o seu login -- o que é uma idiotice, porque se consegue dar a volta nisso facilmente por meio do Meebo ou do E-Buddy. Eu já tinha até desencanado disso, desinstalado o Windows Live Messenger e acostumado a ignorar o ícone inativo do Windows Messenger no canto inferior direito da tela.
Mas aí hoje de manhã cedo, quando eu loguei no sistema, eis que o Windows Messenger se logou automaticamente... um milagre! Fiquei até com medo de ser alguma armadilha, uma pegadinha do Pânico na TV que faria tocar alguma sirene assim que eu tentasse usar o MSN, enquanto a Sabrina Sato surgiria debaixo da minha mesa com a minha carta de demissão. Mas como todo bom viciado, eu meço mal os meus riscos, e por isso me aventurei a declarar independência do Meebo por hoje. E não é que funcionou direitinho? Até o Windows Live Messenger eu consegui baixar, instalar e rodar! Estou parecendo um pinto no lixo de tanta alegria!
É, mas tanta felicidade tem o seu preço... eu estou com remorso porque sem o Meebo eu não vou poder bater os altos papos que vinha batendo no widget aqui do lado -- que eu, inclusive, ontem aumentei de tamanho para a galera conseguir ler as conversas direito. Mas a gente faz assim: na hora do almoço, que sempre foi a hora mais concorrida aqui no Quarto 1222, eu dou um tempo do MSN e me conecto no Meebo para galera puxar papo. Ou, para quem quer e pode, o meu MSN nunca foi mistério, ali no alto da coluna da esquerda.
Até porque nunca se sabe o que acontecerá amanhã aqui no Escritório. Vai que daqui a pouco os bloqueios voltam ao que eram antes?